Rio Grande do Norte

Raça Soinga foi uma das sensações da Festa do Boi

A ovelha Soinga, raça desenvolvida no Rio Grande do Norte há menos de 20 anos, foi quietinha abrindo seu espaço, criando seu campo e tornou-se uma das maiores sensações das criações de ovinos do Brasil nos últimos tempos
Foto: Washington Rodrigues/Festa do Boi
O sonho de todo criador no Nordeste é ter em seu curral um animal que suporte as agruras da seca e engorde com pouca comida. Este sonho também é do veterinário José Paz de Melo que, ao longo de vinte anos, foi fazendo cruzamentos até chegar à raça Soinga que, de acordo com grande parte dos criadores, vem se transformando em uma das maiores sensações entre os criadores de ovinos.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Ovinos Soinga do Brasil (Acosb), Diel Figueiredo, este foi um ano em que a raça Soinga se transformou na maior sensação da Festa do Boi. E não é para menos. Os criadores levaram 250 animais para apresentar o que essa raça representa para o semi-árido brasileiro.

Fiqueiredo recebe eco na voz do ex-secretário da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Francisco das Chagas Azevedo, ao afirmar que "temos uma raça desenvolvida com intuito de comer pouco e de tudo, engordar fácil e resistir a longos períodos de estiagem, como o que está acontecendo neste ano".

Não foi à toa que José Paz de Melo chegou ao Soinga. Não é de hoje que vinha fazendo pesquisa, trabalhando duro nos últimos 50 anos. Tudo começou nos anos 60 sempre "com intuito de encontrar através da pesquisa uma ovelha que fosse resistente e bem adaptada ao semi-árido, com características próprias para a região".

Mas não era apenas este o objetivo da pesquisa. O animal teria que ter carne saborosa, bom aproveitamento da carcaça e baixo custo operacional. O baixo custo foi comprovado pelo criador Aldo Tinôco, que também ressalta a qualidade da carne "sem aquele cheiro característico da carne de ovino e de um sabor invejável". Este sabor invejável decantado por Aldo foi encontrado também pelos chefs de cozinha que estiveram na 8ª Feira Internacional de Caprinos e Ovinos (Feinco), a mais importante exposição do segmento em todo o mundo, realizada anualmente em São Paulo.

A história diz que bom cabrito não berra. Pois a ovelha Soinga, raça desenvolvida no Rio Grande do Norte há menos de 20 anos foi quietinha abrindo seu espaço, criando seu campo e tornou-se uma das maiores sensações das criações de ovinos do Brasil nos últimos tempos.

É este resultado que foi apresentado nos 50 anos da Festa do Boi, no Pavilhão da Ancoc Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Ovinos e Caprinos). Ali, os criadores estiveram a disposição dos interessados em conhecer mais de perto a raça e ofereceram uma prova do sabor da carne do animal no II Festival Internacional Gastronômico do Cordeiro Soinga.

História da raça

Para chegar a este resultado, o veterinário Jose Paz de Melo iniciou os estudos em 1968 em Ingazeira, em Pernambuco, que geraram a Ingazeira, fruto do cruzamento da Bergamascia, uma ovelha europeia reconhecida pela qualidade de sua carne e a Morada Nova que também é louvada pelas mesmas características.

Partindo desses estudos, foram mais 20 anos de pesquisas até chegar num cruzamento de três raças reunindo as duas anteriores denominadas de Ingazeira com a Sommalis Brasileira o que deu a Soinga, que consegue aproveitar 20% mais de pasto que os outros carneiros.

Criada especificamente para o semi-árido, a raça Soinga já comeu outros pastos pelo Brasil a fora. No Paraná, um dos mais importantes criadores de ovinos do País, Edo Malmann testou os anos na fazenda e obteve resultados considerados muitos bons por ele mesmo que cedeu suas ovelhas de carcaças largas como a Pool Dorset, Textel e Ile de France para cruzar com reprodutores Soinga em busca de uma carcaça mais generosa.

Características

O fato de ser fruto da união entre a italiana Bergamascia e a brasileira Morada Nova, que vêm a ser duas ovelhas cuja maior característica é o sabor da carne, a Soinga apresenta uma carne tenra e saborosa.

Diferentemente de outras raças, a Soinga apresenta condições de maternidade dificilmente encontrada. As fêmeas, em muitos casos, dão duas crias, demonstram carinho e cuidado especiais com os filhotes, fatores importantes para que sejam mais resistentes e cresçam saudáveis.

Suportar as intempéries do semi-árido carece de características específicas como consumir 20% a mais de pasto que qualquer outra raça. Além da questão da comida e da resistência ao Semiárido, a Soinga tem bons anticorpos e não cede às pragas que assolam as ovelhas durante a invernada. Além disso, enquanto raças como a Sommalis Brasileira e outras demoram até um ano e meio para atingir a plenitude, os primeiros cortes de Soinga podem ser feitos com seis meses de vida.

Por fim, tem aproveitamento de 54% de carne e o resto é pele, osso e miúdos. Outras raças não conseguem alcançar este nível de aproveitamento. "É um animal considerado de grande porte, com alta produção de carne de alta qualidade", confirma Francisco das Chagas Azevedo.

Notícia adaptada pela Equipe Capril Virtual com informações Faern/Senar (25/10/2012)


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