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Doenças respiratórias em ovinos e caprinos

O período chuvoso e de baixas temperaturas em algumas regiões do País serve para ampliar o alerta.

A previsão de baixas temperaturas em algumas regiões do País serve para ampliar o alerta. As doenças respiratórias só perdem para as verminoses no ranking de prejuízos causados por problemas sanitários em rebanhos de ovinos e caprinos. E, assim como acontece com os parasitas, ações preventivas representam a melhor forma de evitar impactos negativos para a rentabilidade da criação.

Enfermidades como bronquites e pneumonias podem ter origens alérgicas, virais e/ou bacterianas. "São problemas que acometem principalmente os animais jovens e podem causar sérios prejuízos caso o rebanho não tenha um bom manejo sanitário, com índices de mortalidade muito variáveis em função das práticas de profilaxia e curativas adotadas", informa o veterinário Álvaro Borba.

Provocada pelas bactérias Pasteurella multocida e Mannheimia haemolytica (Pasteurella haemolytica), a pasteurelose é a doença respiratória mais frequente em pequenos ruminantes. Problemas dessa ordem também podem estar associados a bactérias como Escherichia coli, Mycoplasma e Staphylococcus aureus. "Essas bactérias são oportunistas, ou seja, vivem na mucosa do aparelho respiratório dos ruminantes sadios sem causar nenhum problema e se aproveitam de uma queda de resistência do sistema imune para desencadear a doença", explica a veterinária Cecília José Veríssimo, pesquisadora do Instituto de Zootecnia (IZ) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

Os declínios na imunidade podem ocorrer por situações de estresse como excesso de frio, desmame, verminose, condições de transporte inadequadas, desequilíbrio nutricional, lotação excessiva do galpão e ambiente em más condições de higiene. O contágio acontece principalmente pelo ar, por meio da respiração, e pela ingestão de água ou alimentos contaminados, o que inclui o leite de ovelha. "É natural que a disseminação seja maior entre animais confinados e, especialmente, em locais úmidos e com pouca luminosidade", destaca Borba.

Os sintomas mais comuns das doenças que afetam o trato respiratório são tosse, secreção nasal, secreção ocular, pneumonia, febre, dificuldade para respirar, ruídos anormais à auscultação (escuta dos sons internos do corpo), perda de apetite e perda de peso. "Outros sinais são demonstrados quando o animal só fica deitado e com a cabeça baixa e se isola dos demais. Além disso, pode haver a morte súbita. Cordeiros de até três meses de idade são atingidos na forma aguda, e animais um pouco mais velhos, na forma crônica.

Quando a doença acomete o rebanho em um primeiro surto, o prejuízo é grande, havendo alta taxa de mortalidade. Posteriormente, a doença provoca morbidade, ou seja, os animais não morrem, mas ficam fracos e têm pior desempenho", detalha a pesquisadora do IZ. Quando as doenças respiratórias são diagnosticadas, o ideal é que sejam feitos exames laboratoriais da secreção nasal, recomenda o veterinário Álvaro Borba. Segundo ele, essa prática é importante para a administração de antibióticos propícios, anti-inflamatórios e descongestionantes para a desobstrução das vias aéreas.

Animais que apresentam sinais clínicos devem ser isolados para conter a disseminação do problema. Também é importante verificar como está o controle da verminose no plantel, já que é comum a associação entre a verminose e a pneumonia. Em caso de cordeiro lactente enfermo, é preciso analisar se a mãe não é portadora de mastite, que pode ser a causa da doença respiratória desse cordeiro.

Atitudes que podem fazer a diferença

Todo mundo conhece a frase: "Prevenir é melhor do que remediar". A teoria, no entanto, precisa ser aplicada no dia a dia da propriedade. O Brasil é um país de dimensões continentais e que apresenta grandes diferenças climáticas entre suas regiões. Por isso, a escolha da raça que vai formar o rebanho é fundamental para o sucesso da criação. "Existem raças mais adequadas para determinados locais e o produtor deve sempre buscar animais que se adaptem às suas condições edafoclimáticas", salienta Borba.

Também é importante proteger exemplares que serão deslocados de uma região para outra. "Animais deslanados que saem de um local quente e seguem para uma zona fria precisam de um tempo para se adaptar ao novo ambiente. O aconselhável é que sejam transportados em época de temperaturas amenas e que tenham à disposição abrigos para se protegerem da chuva e do vento", observa a veterinária Cecília Veríssimo.

O reforço à imunidade de ovinos e caprinos passa necessariamente pela correta nutrição. É recomendável consultar um especialista na área que indique a necessidade de proteína e energia adequadas à cada categoria. "É preciso garantir uma boa alimentação à fêmea no terço final da gestação, quando o feto mais cresce, para que o cordeiro nasça forte e vigoroso, e para que o colostro da ovelha esteja rico em imunoglobulinas. O recém-nascido precisa mamar o colostro nas primeiras horas após o parto para fortalecer a sua imunidade. O produtor ainda deve verificar se o número de cochos está sendo suficiente para alimentar todos os animais de uma única vez, já que os ovinos costumam comer todos juntos, e os mais fracos vão sempre ficando para trás", enumera a pesquisadora.

Quando os partos de animais deslanados ocorrerem em situações de baixas temperaturas, o ideal é que as ovelhas e os cordeiros sejam mantidos em baias providas de aquecedores por um período de, pelo menos, duas semanas. Em regiões onde o inverno é mais rigoroso e onde haja excesso de vento, pode-se adotar medidas como corta-ventos, com árvores estrategicamente plantadas, e cortinas nos galpões que possam ser baixadas sempre que necessário.

Outras ações que fazem parte da rotina de manejo podem ajudar o criador a manter o rebanho livre de problemas respiratórios. É importante dimensionar bem as instalações e evitar o excesso de animais por área, seja no confinamento ou na pastagem. Evitar pastos alagadiços e instalar abrigos nos locais de pastejo ajuda a proteger dos efeitos causados pelo excesso de sol ou de chuva.

As instalações devem passar por uma limpeza diária, seja por varredura e/ou raspagem, e desinfecção completa das mesmas a cada sete dias, após limpeza prévia, de preferência com o lança- chamas ou "vassoura-de-fogo". "A cama de galpões fechados deve ser higienizada com frequência, a fim de evitar excesso de umidade e fermentação das fezes e urina, que predispõem os cordeiros a doenças respiratórias", ressalta Cecília. A melhor cama, segundo a veterinária, é a de bagaço-de-cana, pois não traz ectoparasitas, e foi submetida a um processo com altas temperaturas.

Diminuir as fontes de estresse dos animais também é fundamental. Práticas de natureza violenta (física, comportamental e/ou sonora) devem ser eliminadas, e procedimentos como caudectomia, castração e descórnea devem ser feitos somente quando estritamente necessário e com o uso de produtos anestésicos.

Notícia publicada originalmente em Set/13

Notícia adaptada pela Equipe Capril Virtual com informações Revista do Criador (11/05/2022)

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