Uso do pastoreio rotativo na criação de ovinos e caprinos

Existem vários sistemas de criação de ovinos e caprinos. Independente da escolha, o que importa é ter resultado produtivo e financeiro. Não existe (infelizmente, senão já estaria rica!) uma fórmula  mágica e que sirva para todas as propriedades e regiões. Às vezes até mesmo propriedades vizinhas, com sistemas iguais, tem resultados totalmente diferentes. Essa é a beleza de trabalharmos com biologia (onde nem sempre 1 + 1 = 2). Mas também está aí o desafio do dia a dia.

Quando falamos em alimentação dos animais, existem diferentes sistemas: confinamento (dentro de um galpão ou aprisco), extensivo (à campo ou na caatinga, por exemplo) e mesmo uma mistura desses dois, onde os animais vão ao campo mas também recebem suplementação no cocho – nem que seja pra voltar pra casa 🙂

Se a escolha é pela alimentação à campo, onde as ovelhas e as cabras caminham até o alimento, podemos trabalhar também de diferentes formas, mas o mais comum é o pastoreio contínuo (animais ficam por períodos longos no mesmo “campo”) e o pastoreio rotativo (o “campo” é dividido em vários espaços menores e os animais ficam poucos dias em cada, fazendo um rodízio do local onde se alimentam).

Se a ideia é fazer pastoreio rotativo, algumas dicas são importantes e precisamos estar atentos para ter o melhor resultado com esse sistema. Um erro que vejo muito e que causa grandes prejuízos (chegando ao ponto de abandonarem o rotativo), é a área de lazer apresentar grama/pasto. Ou trabalhamos sem área de lazer (tendo sombra e água em todos os piquetes) ou então a verminose pode sair do controle, em virtude da alta lotação e dos animais estarem ali todos os dias (não ocorrendo rodízio nessa área).  Não existe sistema perfeito, existe sistema bem trabalhado.

Abaixo, tem um excelente material da Embrapa com informações sobre como montar o rodízio e como manejar os animais dentro dele. Boa leitura!

 

A importância do chifres na reprodução dos caprinos

O sonho de trabalhar só com caprinos mochos (sem chifres/guampas) acompanha a maioria dos criadores, principalmente aqueles voltados para a produção de leite. E o mochamento (retirada dos chifres, mesmo que só o botão), realizado nos cabritinhos bem novos, é uma prática comum nos criatórios. Mas então por que não utilizamos só animais mochos (que já nascem com o gene para não ter chifres)? Se só cruzarmos cabras e bodes sem chifres, a grande maioria dos cabritinhos nasceriam mochos… Seria perfeito, se não fosse um detalhe: animais mochos, se homozigotos, são inférteis ou subférteis.

Para não ter problemas de fertilidade, basta que um dos pais (a cabra ou o bode), tenham chifres. Como é mais fácil controlar pelo bode, e ele deixa muito mais filhotes que uma cabra normalmente, é que indicamos que o bode sempre seja aspado /chifrudo.

No artigo abaixo, tem todas as explicações do porquê isso acontece.

 

Abrigo para os animais e redução na mortalidade de cordeiros e cabritos

A falta de abrigo para os animais é um dos motivos da alta mortalidade dos cordeiros e cabritos em regiões frias. Isto é fato! Você deve estar pensando “que bobagem, há anos atrás ninguém construía casa para as ovelhas e cabras e nem por isso morreram todas…” Digo isso a todo produtor que me pergunta se elas precisam de galpão. Não está entendendo?

Há anos atrás, os animais tinham abrigos naturais. Hoje, muitas propriedades não tem, ou as áreas que tem já não dá para colocar as ovelhas e cabras (roubo, predadores, etc). Com isso, em algumas regiões, com as fêmeas parindo em pleno inverno, há alta mortalidade dos filhotes, principalmente em dias chuvosos e com vento, se não há abrigos.

Sempre oriento a solucionar problemas com baixo custo. Vou mostrar a ideia de um pequeno produtor, com poucos recursos. A propriedade não tinha árvores (as que estão atrás na foto são do vizinho) e o produtor resolveu pegar uma lona de caminhão, dessas que “jogam” fora nos postos de combustível quando tem algum defeito, e fez um abrigo para as ovelhas dentro da mangueira.

Deixou de ter mortalidade perto de 40% , caindo para 10%. O produtor me contou que, no dia que montou, estava chuviscando e as ovelhas já estavam embaixo da lona enquanto ele terminava de montar.

Quem quer acha um jeito, quem não quer, acha uma desculpa…

Foi dizendo isso que mostrei a foto acima e contei a história numa palestra.

Qual não foi minha surpresa ao fazer uma consultoria em outro criador, ele comentar sobre a palestra e me mostrar isso:

Gostou da ideia, também conseguiu a lona num posto de combustível e com material que tinha na propriedade, fez o “abrigo”. Propriedade maior, mais animais, abrigo maior. Mas com a mesma simplicidade. Nem preciso dizer que os resultados com mortalidade também melhoraram.

Por favor, sem desculpas…

Uma boa mãe cuida do seu filhote

Já reparou o comportamento de uma mãe com seu filhote? Como ela cuida dele?

Além de parir (dar cria), ter leite suficiente para alimentar o filhote, uma boa mãe precisa ser cuidadosa, estar sempre atenta. Esse comportamento aumenta a sobrevivência da cria. Um cabrito ou cordeiro indefeso, sem a mãe por perto, além de poder se perder do rebanho (no caso de propriedades maiores), pode também servir de “refeição” para um predador.

 

No vídeo, é possível observar uma ovelha que deu cria há pouco tempo e, mesmo acompanhando o rebanho, caminha um pouco mas espera para ver se o cordeirinho está por perto.

É importante ficar atento ao comportamento dessa ovelha ou cabra, pois comportamento materno também é genético e pode ser selecionado (ou no caso, descartado por não cuidar da cria).

Claro que não é uma regra, até porque em alguns casos, como em rebanhos leiteiros, principalmente em caprinos onde é feito o controle do vírus da CAE (Artrite Encefalite Caprina), o cabrito já é separado da cabra após o nascimento. Outros fatores também podem fazer uma ovelha ou cabra abandonar o filhote: baixa condição corporal (estar muito magra), parto difícil e animal de primeira cria.

Podemos ter mais um critério para selecionar e assim melhorar nosso rebanho! 😉