Castrar ou não castrar, eis a questão…

Muitas são as dúvidas na criação de ovinos e caprinos. Uma delas é sobre o manejo com os machos, nos rebanhos comerciais: castrar ou não castrar os machinhos… Não existe regra nem o que é melhor ou pior, cada propriedade e sistema de produção vai definir se é melhor castrar ou deixar os animais inteiros (sem “capar”).

Nossa ideia é auxiliar na tomada de decisão, ou seja, ajudar a pensar se para o seu sistema o melhor é castrar ou não…

Se a ideia é abater/carnear o animal jovem, com até 6-7 meses (em algumas raças ou regiões, até um pouco mais tarde), não há necessidade de castrar. Mas se não tiver certeza que conseguirá até esse prazo, o ideal seria castrar já novinho.

Vários são os motivos que acabam fazendo com que os produtores castrem os machinhos:

  • facilita o manejo (dá para deixar junto das fêmeas, sem preocupação de emprenhar quem não deve);
  • às vezes a ideia é vender jovem, mas acontecem alguns problemas na criação e acaba atrasando o desenvolvimento. Se os machinhos estão inteiros podem já começar a puberdade e a “montar” uns nos outros, ficando agitados e impedindo que ganhem peso e depositem gordura de acabamento;
  • em raças com mais dificuldade de depositar gordura, castrar facilita a terminação (ter gordura subcutânea ideal para o abate – apesar da maioria não gostar de “graxa”, é importante a carcaça ter cobertura de gordura para que não fique azulada no resfriamento…). Afinal, ninguém quer comprar carne azul, certo? 😉

No vídeo a seguir, fizemos um esquema para auxiliar na decisão, com pontos importantes a avaliar.

Uso do pastoreio rotativo na criação de ovinos e caprinos

Existem vários sistemas de criação de ovinos e caprinos. Independente da escolha, o que importa é ter resultado produtivo e financeiro. Não existe (infelizmente, senão já estaria rica!) uma fórmula  mágica e que sirva para todas as propriedades e regiões. Às vezes até mesmo propriedades vizinhas, com sistemas iguais, tem resultados totalmente diferentes. Essa é a beleza de trabalharmos com biologia (onde nem sempre 1 + 1 = 2). Mas também está aí o desafio do dia a dia.

Quando falamos em alimentação dos animais, existem diferentes sistemas: confinamento (dentro de um galpão ou aprisco), extensivo (à campo ou na caatinga, por exemplo) e mesmo uma mistura desses dois, onde os animais vão ao campo mas também recebem suplementação no cocho – nem que seja pra voltar pra casa 🙂

Se a escolha é pela alimentação à campo, onde as ovelhas e as cabras caminham até o alimento, podemos trabalhar também de diferentes formas, mas o mais comum é o pastoreio contínuo (animais ficam por períodos longos no mesmo “campo”) e o pastoreio rotativo (o “campo” é dividido em vários espaços menores e os animais ficam poucos dias em cada, fazendo um rodízio do local onde se alimentam).

Se a ideia é fazer pastoreio rotativo, algumas dicas são importantes e precisamos estar atentos para ter o melhor resultado com esse sistema. Um erro que vejo muito e que causa grandes prejuízos (chegando ao ponto de abandonarem o rotativo), é a área de lazer apresentar grama/pasto. Ou trabalhamos sem área de lazer (tendo sombra e água em todos os piquetes) ou então a verminose pode sair do controle, em virtude da alta lotação e dos animais estarem ali todos os dias (não ocorrendo rodízio nessa área).  Não existe sistema perfeito, existe sistema bem trabalhado.

Abaixo, tem um excelente material da Embrapa com informações sobre como montar o rodízio e como manejar os animais dentro dele. Boa leitura!

 

Abrigo para os animais e redução na mortalidade de cordeiros e cabritos

A falta de abrigo para os animais é um dos motivos da alta mortalidade dos cordeiros e cabritos em regiões frias. Isto é fato! Você deve estar pensando “que bobagem, há anos atrás ninguém construía casa para as ovelhas e cabras e nem por isso morreram todas…” Digo isso a todo produtor que me pergunta se elas precisam de galpão. Não está entendendo?

Há anos atrás, os animais tinham abrigos naturais. Hoje, muitas propriedades não tem, ou as áreas que tem já não dá para colocar as ovelhas e cabras (roubo, predadores, etc). Com isso, em algumas regiões, com as fêmeas parindo em pleno inverno, há alta mortalidade dos filhotes, principalmente em dias chuvosos e com vento, se não há abrigos.

Sempre oriento a solucionar problemas com baixo custo. Vou mostrar a ideia de um pequeno produtor, com poucos recursos. A propriedade não tinha árvores (as que estão atrás na foto são do vizinho) e o produtor resolveu pegar uma lona de caminhão, dessas que “jogam” fora nos postos de combustível quando tem algum defeito, e fez um abrigo para as ovelhas dentro da mangueira.

Deixou de ter mortalidade perto de 40% , caindo para 10%. O produtor me contou que, no dia que montou, estava chuviscando e as ovelhas já estavam embaixo da lona enquanto ele terminava de montar.

Quem quer acha um jeito, quem não quer, acha uma desculpa…

Foi dizendo isso que mostrei a foto acima e contei a história numa palestra.

Qual não foi minha surpresa ao fazer uma consultoria em outro criador, ele comentar sobre a palestra e me mostrar isso:

Gostou da ideia, também conseguiu a lona num posto de combustível e com material que tinha na propriedade, fez o “abrigo”. Propriedade maior, mais animais, abrigo maior. Mas com a mesma simplicidade. Nem preciso dizer que os resultados com mortalidade também melhoraram.

Por favor, sem desculpas…

Calendário de atividades anual do rebanho – monte o da sua propriedade

Consegue lembrar de todas as atividades que precisam ser realizadas com o rebanho ou acaba esquecendo algo? Para ajudar no dia a dia da criação é importante termos um calendário anual de atividades, para lembrar de cada etapa importante da produção e quando deve ser realizada.

Com as atividades básicas planejadas, mês a mês, fica mais fácil gerenciar a criação e não corremos o risco de esquecer algo importante, como uma vacina, por exemplo.

Temos aqui exemplo de 3 calendários: geral (pode ser usado para ovinos e caprinos), um para ovinos e outro para caprinos. A diferença é mínima, mas fica a critério de cada um analisar o que melhor se enquadra na sua criação. Eles podem ser baixados e usados na sua propriedade. Esperamos que gostem!

Calendário OVINOS

 

Calendário CAPRINOS

 

Calendário GERAL

Pode ter grama onde os animais dormem?

Em várias propriedades, em virtude de roubo ou ataque de cães ou outros predadores, o rebanho fica preso numa mangueira ou num cercado menor durante a noite. Apesar de proteger o rebanho por um lado, pode aumentar e muito a verminose, se alguns cuidados não forem tomados.

Como a verminose é transmitida através das fezes e a principal forma de contaminação é através da ingestão de pasto contaminado, quanto mais concentrado os animais ficarem, maior a contaminação de verminose no local. Um dos erros que encontramos frequentemente nesse sistema de dormirem na mangueira, por exemplo, é que muitas vezes o produtor cuida do controle da verminose no campo (faz rodízio de piquetes, por exemplo), mas os animais voltam toda noite para um mesmo local extremamente contaminado.

Apesar de normalmente ter pouco pasto / verde, em virtude da concentração e pisoteio, sempre tem um “verdinho” no meio, que graças à grande quantidade de esterco, sobrevive e cresce vigorosamente. Já imaginaram a contaminação de cada “graminha” dessas? É extremamente alta em virtude da grande quantidade de fezes.

Por isso devemos manter a área de repouso ou onde os animais dormem somente com terra ou com alguma cobertura seca (casca de arroz ou a própria palha, por exemplo). É importante não ter grama para os animais pastarem e se contaminarem, mas também é preciso ter alguma cobertura para que em épocas de chuva, não vire barro e ocorram problemas de casco. Senão, é cuidar de uma coisa e estragar outra 🙁

Como a quantidade de adubo (esterco) é muito grande, devemos manter o controle sobre a brotação. Ao menor sinal de rebrote, precisamos tomar uma atitude rapidamente.

 

 

 

Problemas com excesso de moscas no galpão de piso ripado? Temos uma sugestão de controle…

Para quem tem galpão suspenso, com piso ripado, um dos problemas enfrentados é o excesso de moscas “criadas” no esterco que fica embaixo do galpão. As moscas procuram as fezes dos animais para colocarem ovos, que se transformam em larvas e dão origem a novas moscas. Quando nenhuma atitude para o controle é tomada, o que vemos é um galpão onde é preciso ficar literalmente de “boca fechada para não entrar mosca”, de tantas que tem.

Existem várias formas de controle e vamos sugerir uma bem sustentável, que além de não usar produtos químicos, ainda gera produtos muito bons, como ovos e carne.

Na natureza, faz parte do hábito alimentar das galinhas ciscar insetos e larvas pelo chão. Então por quê não aproveitar para consorciar a criação de ovinos / caprinos com uma pequena criação de galinhas? Elas farão o controle biológico das moscas, comendo as larvas e pupas que estão nas fezes embaixo do galpão.

Antes de fazer cara feia e pensar “que nojo”, lembre que isso faz parte da dieta natural das galinhas na natureza. E que uma larva é pura proteína 😉

Mas claro, temos que ter alguns cuidados pois senão as galinhas podem trazer prejuízos à criação. Queremos que elas fiquem embaixo do ripado e não junto com os ovinos e caprinos. Para quem tem galinha, sabe que é um bichinho danado que adora sujar por onde passa. E não queremos fezes de galinha no cocho dos animais, certo? Isso poderia acarretar a transmissão de algumas doenças e queremos só a parte boa dessa parceria.

O ideal é manter as aves em um cercado e que tenham acesso a parte debaixo do galpão, onde ficam depositadas as fezes dos animais. Para evitar que elas “voem” e entrem no galpão, uma técnica simples e eficiente é cortar as penas das asas.

Existem trabalhos que mostram a grande redução na quantidade de moscas com o controle através de galinhas (e pode ser galinha d´angola também).

Nesse vídeo, de uma matéria sobre instalações para caprinos, mostra uma propriedade onde é utilizado esse sistema (a partir do minuto 6:20). Confira: